O projeto Óculos Sensoriais para Cegos – Plataforma Synesthesia Vision, do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), campus Recife, recebeu destaque nacional pelo desenvolvimento de um dispositivo inovador voltado para pessoas com deficiência visual, criado por professores e estudantes da instituição. A iniciativa foi premiada no Prêmio Inova, durante o Painel Telebrasil Summit 2025, realizado em Brasília (DF) nos dias 2 e 3 de setembro, e foi contemplada em duas categorias: Prêmio Especial de Acessibilidade e Prêmio do Público (votação dos presentes).
A iniciativa é promovida pela Confederação Nacional da Tecnologia da Informação e Comunicação (Contic) e pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), com apoio da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), que reúne operadores e fornecedores do setor.
O dispositivo funciona como um “radar pessoal”, complementando o uso da bengala — tecnologia assistiva mais comum entre pessoas cegas. Utilizando sensores infravermelhos e ultrassônicos, os óculos detectam obstáculos fora do alcance da bengala e emitem alertas por meio de sons e vibrações. Além disso, a inovação é integrada a um aplicativo para celular e a uma plataforma web, que oferecem recursos adicionais como previsão do tempo, detecção de luminosidade e apoio à locomoção por transporte público.
Essa solução nasceu de uma trajetória longa e consistente. Inspirada em mecanismos de ecolocalização — semelhantes aos usados por morcegos e golfinhos — e em áudio imersivo, a pesquisa teve início em 2015, com protótipos simples. Ao longo de quase uma década, evoluiu de forma contínua e hoje conta com patente publicada e aprovação da Plataforma Brasil para testes com usuários. Até o momento, cerca de dez pessoas com deficiência visual já participaram das avaliações.
“Nosso dispositivo amplia as capacidades da bengala, oferecendo percepção de obstáculos acima da linha da cintura. É como transformar a audição nos olhos do usuário”, explica a professora Aida Ferreira, coordenadora do projeto.
Essa evolução foi possível graças ao envolvimento de mais de 25 estudantes e cinco professores do IFPE, consolidando-se como exemplo de como a ciência e a educação pública podem gerar impacto social. O esforço também deu origem à startup Synesthesia Vision, voltada à comercialização da tecnologia e ao atendimento de um público estimado em mais de 500 mil brasileiros cegos, segundo dados do IBGE.
“Esse projeto mostra o potencial transformador da educação pública. Aliamos ciência, inovação e impacto social em uma solução real, que tem tudo para chegar às mãos de quem mais precisa”, completa Aida.
A conquista também reflete o papel do projeto Empreendedorismo Inovador, que apoiou o desenvolvimento da Plataforma Synesthesia por meio do Edital Setec/MEC nº 109/2022, fortalecendo a transformação de pesquisas acadêmicas em soluções reais de mercado.








